Resistência Insulínica e a Síndrome Metabólica

Os mecanismos da Resistência à Insulina e sua relação com a Síndrome Metabólica foi o tema abordado pelo Dr. Marcos Tambascia, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Logo no início, o especialista mencionou que estaria dando ênfase aos aspectos deste importante problema clínico.

A Resistência à Insulina foi descrita como uma situação em que a insulina não consegue assegurar uma captação adequada, nem bloquear a produção hepática de glicose, diminuindo a captação periférica de glicose. A medida que o individuo engorda, maior a Resistência Insulínica, ou seja, é uma função dinâmica em relação ao peso.

O Dr. Tambascia comentou sobre um estudo entre enfermeiras, acompanhadas desde que entraram na universidade. Quanto mais idosas e mais obesas ficavam, maior a incidência do aparecimento do diabetes. Outro dado que apontou em outra pesquisa foi que quanto maior a medida da cintura, maior a prevalência do diabetes.

Como a gordura visceral estaria envolvida nessa questão? Indagou o Dr. Tambascia à platéia. Ele explicou que o tecido adiposo produz uma série de hormônios: Leptina, Resistina, Adiponectina, TNF alfa, IL 6 e a Visfatina (Visceral Fat Insulin). Este último é o mais novo hormônio estudado. Ele se liga no receptor de insulina e mantêm a resistência à insulina, apesar da lipólise. Quanto maior a gordura visceral maior a quantidade de Visfatina. Este novo hormônio já foi clonado, estudado e analisado.

Outro aspecto que está muito ligado à RI, é o Ácido Graxo Livre. O tecido adiposo geral, assim como o visceral, eleva o AGL, levando à RI. Na lipólise ocorre um aumento de AGL, captado pelo músculo.

Outra abordagem do especialista foi sobre a Adiponectina, produzida só pelo adipócito, tem 244 aminoácidos e é a proteína mais abundante da espécie humana. O interessante, comentado pelo Dr. Tambascia, é a relação inversa com a obesidade, ou seja, quanto mais obeso menor o nível de Adiponectina no organismo. Essa proteína tem um papel interessante de proteção da aterosclerose, pois funciona como protetor da integridade dos vasos. Outro dado é que quanto menor o índice de Adiponectina, mais probabilidade do desenvolvimento do diabetes tipo 2. Quanto maior resistência da insulina, menor o índice de Adiponectina. Estudos também demonstraram uma ligação inversa com o tamanho da cintura abdominal.
A Síndrome Metabólica tem trás a Resistência à Insulina. Entre outros pontos, vale observar que o nível baixo de Adiponectina leva aos demais riscos da SM, cujo tratamento pode ser feito com o aumento de exercícios físicos, dieta e medicação.