
Postado originalmente por
Cipower
Citando um exemplo pra mim bastante importante, contado por meu ex-treinador de rugby, argentino, sobre o contexto social do rugby em seu país.
Na Argentina, há tradição de se jogar rugby pela escola, e se faz amadoristicamente, não há o "modo americano de sucesso". É algo nobre, o jogo é visto como um valor em si mesmo, como edificador da personalidade.
O selecionado adulto argentino, um TOP 6 mundial, passou por grande crise agora a pouco.
Como não havia profissionalismo "não confundir com SERIEDADE", um jogador lá acidentou o pescoço ficando aleijado e isso quebrou o órgão máximo de rugby argentino. Não havia seguro atleta, nem nada do tipo.
Os jogadores do selecionado argentino são em sua maioria atletas que vão para faculdades européias ganhando bolsa pra jogar, e a seleção argentina não tinha a visão "empresa" que as seleções da Inglaterra, NZ, África do Sul, França possuem. Resultou num movimento para que o selecionado argentino se "profissionalize", isto é, que o tratamento seja mais próximo dos outros grupos, pois estavam sentindo enorme dificuldade para atingir o desempenho compatível com a tradição e a história.
Isso pra mim é um grande exemplo de dilema: o que fazer? mudar o conceito do rugby naquele país? mudar só o selecionado? o que fazer?
Tentando explicar um pouco mais, na Inglaterra, França, Itália, NZ, África do Sul e muitos outros países, o rugby é um esporte como o futebol, desde criança sabe-se que se você jogar em certo nível, pode viver puramente de rugby e muito bem, com salários não tão estratosféricos como futebol – que soube utilizar a TV e seu poder financeiro antes – mas vemos jogadores milionários agora no rugby também.
Conversando com um argentino aqui, já de meia idade, falou com pesar que jogou na primeira divisão argentina "até ter que trabalhar", isto é, acabou a faculdade e teria que se sustentar. Isto é, pela característica amadora, o rugby não é visto como modo de vida, e sim como puro e simples desporto.
Será que ficou claro como há uma grande diferença na percepção da função do esporte?
Com TV, internet e marketing, podemos virtualmente profissionalizar qualquer esporte que tenha apelo para receber anunciantes.
Agora eu creio firmemente que não é a profissionalização ou não, anunciantes ou não que fará um esporte melhor, e sim a divulgação do sentido CORRETO de algo que construa uma civilização melhor, com pessoas mais saudáveis, com espírito competitivo do modo correto, com fair play, etc.