Google: Os longos tentáculos da gigante de buscas
Já não é de hoje que o tamanho da Google e a velocidade de seu crescimento vêm incomodando a comunidade plugada, suscitando desde reações iradas a teorias conspiratórias. O programa australiano de TV HungryBeast, por exemplo, postou um vídeo ( bit.ly/hbeast ) sobre o alcance da Google. Já o site Pingdom criou um curioso infográfico ( bit.ly/googfacts ) com algumas outras informações pouco conhecidas a respeito da empresa líder em buscas online.
A verdade é que a Google se espalha por tudo quanto é lado - e é aí que mora o perigo, segundo defensores da privacidade online. Segundo a Wikipédia, a empresa comprou 73 outras empresas nos últimos nove anos. O braço de investimentos Google Venture, que completou um ano de idade, já aplicou grana em dez empresas, com investimentos de US$ 100 milhões só em 2010, nas áreas de conteúdo de anúncios, redes elétricas inteligentes, intercâmbio de links, biotecnologia, ensino de inglês e previsão do futuro. Mas, como você pode ver na página 14, esses estão longe de ser os únicos pontos de interesse da empresa.
Eis aqui algumas das coisas em que a Google está de olho:
Seu telefone: com o Google Voice, iniciativas de VoIP (comunicação por voz via internet) e o sistema operacional Android para smartphones, que está tomando o planeta como de assalto. Para o Android já existem 20 mil aplicações, sendo que 160 mil novos telefones rodando o dito sistema são ativados por dia.
Seu email: com o Gmail, webmail grátis usado por 146 milhões de pessoas, com 7GB de espaço cada uma.
Seu computador: com o Google Desktop e com o futuro sistema operacional Chrome OS, que promete arregimentar a numerosa legião de descontentes com o Windows, da Microsoft.
Resumindo, a Google quer controlar nada menos que toda a sua vida digital - registrando os hábitos de navegação dos internautas na web e cruzando-os com suas preferências, em parte, graças à aquisição, em 2007, da Doubleclick, levando junto seu gigantesco banco de dados por US$ 3,1 bilhões.
A empresa avança até mesmo na própria rede física de fibra óptica, que é sustentáculo da internet. Para isso, lançou recentemente o projeto Google Fiber, cuja meta é construir uma rede experimental de internet banda larga, inicialmente em uma ou mais cidades nos EUA, que serão anunciadas ainda este ano.
A Google também quer construir a maior biblioteca de todos os tempos, escaneando na íntegra obras raras e esgotadas, num projeto está sendo alvo de processos judiciais movidos por editores e autores. Entre idas e vindas, o curioso é que o trabalho não para, e a Google vai construindo, a passos rápidos, uma imensa biblioteca digitalizada.
Outro projeto da Google que vem enfrentando críticas é o Street View, em que veículos dotados de câmeras e geolocalização percorrem caminhos, trilhas, ruas e avenidas de várias localidades de mundo, produzindo mapas fotográficos detalhados que permitem ao internauta situar-se num ponto qualquer dessas vias e ter uma visão de 360 graus do entorno. As críticas têm a ver com questões de privacidade, pois as câmeras do sistema às vezes captam situações indiscretas, tais como cenas de crianças nuas, pessoas vomitando e gente saindo de sex-shops. Perigo...
A Google quer esquadrinhar não só a rede, mas também seus usuários e suas ações na internet, registrando tudo que é visto ou visitado online e mantendo esses dados históricos gravados por não se sabe quanto tempo. Com a capacidade de registrar o endereço IP de cada busca ou de cada uso de seus vários produtos agregados, a empresa vem montando há anos um banco de dados descomunal, que é enriquecido a cada segundo.
Especialmente com as ferramentas de email e de redes sociais, está construindo também um imenso banco de dados de interrelações entre usuários, traçando um acervo de grupos geográficos e de interesse, cujas aplicações mercadológicas são virtualmente ilimitadas.
A Google também quer ter acesso a históricos de saúde e à indexação e sequenciamento de DNA, com alguns dos mais recentes investimentos da companhia tendo sido em companhias de testagem genética. Essas iniciativas em especial têm arrepiado os cabelos dos ativistas em prol da privacidade, assustados que estão com os riscos subjacentes. Se o próprio Sergey Brin, um dos fundadores da Google, divulgou em 2008 que tem um gene que suscita risco de Mal de Parkinson, que cuidado terá o sistema em ser discreto com relação às mazelas dos internautas do "resto" do mundo?
Os impérios nascem, crescem e morrem. Se isso for verdade, poderá a Google ser a exceção da regra? A cada ano que passa, os números estão a seu favor - e, portanto, da sua política expansionista.
Mas se antes era a Microsoft a levar bordoada de tudo quanto era lado, agora é a vez da Google. Não tem mais um minuto de sossego. O mais recente ataque pressiona a empresa a revelar a fórmula secreta de seu algoritmo PageRank ( bit.ly/pgrnk ), que dá pesos numéricos às páginas indexadas pelo Google, sob a alegação de que essa classificação poderia estar sendo tendenciosa, beneficiando um ou mais de seus próprios tentáculos. A resposta da empresa não poderia ser outra: "Não revelo".
Semana passada, o valor de mercado da Google estava em US$ 157, 34 bilhões. Isso significa que ela está longe de ter problemas em seu robusto caixa, alimentado pouco a pouco por cada usuário. Não são poucos. Seu buscador web processa diariamente mais de um bilhão de solicitações de pesquisa e 20 Petabytes (milhões de Gigabytes) de dados gerados por usuários, usando mais de um milhão de servidores espalhados pelo mundo.
Cerca de 620 milhões de pessoas visitam o Google a cada dia, deixando a empresa com 85,78% do mercado mundial de buscas online. São escritas 270 mil palavras por minuto no Blogger, da Google, ferramenta com 66,7% do tráfego originado fora dos EUA. No viciante YouTube, a cada minuto é feito upload de mais de 20 horas de vídeo; e cerca de 81,9% dos vídeos inseridos em blogs são do YouTube.
Mais de 97% da receita da Google saem de anúncios online. A ação da empresa, em 2004, valia US$ 85. Semana passada, estava valendo US$ 490. Os ativos da Google, que hoje tem 20.621 funcionários (em 2004 tinha 3.021), somam US$ 40,497 bilhões. Seu patrimônio líquido é de US$ 36 bilhões.
E vem mais por aí. No início de julho, a empresa lançou uma ferramenta de busca voltada para viagens aéreas e planejamento de viagens. Para isso, fechou a compra, por US$ 700 milhões "cash", da ITA Software, uma empresa de 14 anos especializada em organizar informações de linhas aéreas, tais como horários de voos, disponibilidade de assentos e preços de passagens.
Segundo a consultoria de segurança Arbor Networks, se o Google fosse um provedor internet, seria o de maior crescimento no mundo e o terceiro maior em tamanho. Com base em dados anônimos coletados em 2009 junto a 110 provedores pelo mundo afora, a Arbor estima que o Google e suas ferramentas são responsáveis por até 10% do tráfego da internet inteira.
Pois esse é o seu, o meu, o nosso Google - pelo menos um tentáculo sempre perto de você.
Não deixe de ler as respostas da companhia, enviadas pouco antes do fechamento desta matéria, visitando bit.ly/gglcmmnts .
Se ainda há algum setor em que a Google não tenha se metido, não tenha dúvida: ainda vai se meterNão importa o que você faça online, a Google quer ser seu único fornecedor. Eis a lista parcial:
Agenda de compromissos (Calendar), alertas (Alerts), anúncios online (AdSense, AdWords, AdMob), artigos acadêmicos (Scholar), artigos de experts (Knol), astronomia e outros mundos (Sky Map, Mars, Moon), blog (Blogger), catálogo telefônico (GOOG-411), celulares (Nexus One), comunidades semânticas (Wave, ainda experimental), documentos, apresentações e planilhas (Docs), esquetes e modelos 3D (SketchUp, 3D Warehouse), estatísticas de sites (Analytics, Trend, Insight), finanças (Finance), fotos (Picasa, Panoramio, Picnik, Image Search), geolocalização móvel (Latitude), gerenciamento de contas e atividades (Dashboard), grupos de interesse e newsgroups (Groups), hardware de busca (Google Search Appliance e Google Mini), histórico de buscas (Web History), informações médicas (Health), leitor e serviços RSS (Reader, FeedBurner), linguagem de programação (Google Go), livros (Books), mapeamento (Maps, Earth), mensagens instantâneas (Gtalk), notícias (News, Fast Flip), opiniões sobre sites (Sidewiki), ouvir podcast (Listen), pagamentos online (Checkout), patentes (Patents), projetos de software (Code, Code Search), reconhecimento de imagens (Goggles), rede social (Orkut, Buzz, Friend Connect, Aardvark e o futuro Google Me), servidor público de domínios (Public DNS), shopping online (Product Search, o antigo Froogle), táxi (Ride Finder), telefonemas grátis para anunciantes (Click-to-Call), tradução e dicionário (Translate, Language Tools), trânsito (Traffic), transporte público (Transit) e vídeos (YouTube, Google Video).
A lista completa de ferramentas se encontra na Wikipédia, em bit.ly/gooprod .
Fonte: http://oglobo.globo.com/tecnologia/m...-917178624.asp


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